quinta-feira, 26 de julho de 2018
CONDIÇÃO HUMANA
Luz, luar, brinquedo, rua,
continua a prece nesta noite tenra
e lá se vão arestas, frestas, prendas,
quedando impunes ao raptar ternuras.
Ah, vaga-lumes de cores difusas
que enternecem escuros desfilando nuas
nas cordilheiras puras de esvoaçantes luas.
Raios perdidos, mal nascidos, têm,
dos sentidos cálidos deste nunca vêm,
aos poucos, a noite que aguça mistérios
enquanto plácida avança por invernos
resfriando os corpos, céus e infernos
em gélido abraço de cansaços pálidos...
No horizonte, buscando espaços,
aponta à barra tênue, uma luz confusa,
que, n’um crescendo partejar de musas,
rabisca traços da repetida festa do dia.
Assim é a vida, assim o é, repetia
o velho mestre ao discípulo atento,
sem preconizar ou refletir lamentos;
são vários ciclos dentro de um, apenas,
do mel das graças ao sal das penas
há que vivê-los, noites, dias e alvoradas,
pois todos passos dessa caminhada,
ao rumo frágil, que ao longe somem
deixam pegadas, formam universos,
verbos e versos que traduzem o homem...
NENHUM
NENHUM!
Eu, um nenhum, se algum dia conseguir ser um,
De nós eu quero ser,
Apenas um de nós!
Tão somente mais um, de nós...
E jamais seria só!
PAMPA
A PAMPA
No dicionário: “Pampa, adj. 2 gen. (bras.) Diz-se do cavalo cuja pelagem em duas cores distintas, ou do animal de cara ou focinho branco; s. m.* (bras) extensa planície**, rica de pastagem e coberta de vegetação rasteira, na região meridional da América do Sul (us. Também no feminino***); (zool.) espécie de gato do Paraguai; (bras.) cavalo Pampa.
*A abreviatura s.m. dá a indicação, de que Pampa seria um substantivo masculino;
** Todavia, a definição que segue diz tratar-se de “...extensa planície...” sendo pois totalmente contrária a definição trazida pela abreviatura;
*** Para amenizar ou corrigir o equívoco inicial, adiante informa-se que o substantivo também é usado no feminino.
Em verdade, enquanto trata e define a extensa região de planície que inicia na Patagonia, Argentina e encontra seu termo aos pés de Santa Maria no Rio Grande do Sul, Brasil, A PAMPA É UM SUBSTANTIVO FEMININO, PORQUE ELA É FEMININA SENDO A TERRA, A MÃE, A MULHER, A AMANTE, DE TODOS AQUELES QUE SÃO PRIVILEGIADOS EM TER NELA SUAS ORIGENS, FONTES E RAÍZES.
PAMPA (Grades)
Carrego-te em mim fazendo-te baluarte
nos descaminhos desse andar andejo,
ao reencontro ou, longe, sem deixar-te,
n'alma, pele e coração te sinto e vejo.
Lamento por não mais poder
pela Pampa mãe, mulher, terra, correr
na minha Uruguaiana, do meu carinho,
menos pela idade que avança acelerada
à morte, ao esquecimento, ao nada,
nem por grades que dividem caminhos
materiais, ilusões travestidas em calma,
muito mais por àquelas feitas de espinhos
cravados em céus que aprisionam almas ...
No dicionário: “Pampa, adj. 2 gen. (bras.) Diz-se do cavalo cuja pelagem em duas cores distintas, ou do animal de cara ou focinho branco; s. m.* (bras) extensa planície**, rica de pastagem e coberta de vegetação rasteira, na região meridional da América do Sul (us. Também no feminino***); (zool.) espécie de gato do Paraguai; (bras.) cavalo Pampa.
*A abreviatura s.m. dá a indicação, de que Pampa seria um substantivo masculino;
** Todavia, a definição que segue diz tratar-se de “...extensa planície...” sendo pois totalmente contrária a definição trazida pela abreviatura;
*** Para amenizar ou corrigir o equívoco inicial, adiante informa-se que o substantivo também é usado no feminino.
Em verdade, enquanto trata e define a extensa região de planície que inicia na Patagonia, Argentina e encontra seu termo aos pés de Santa Maria no Rio Grande do Sul, Brasil, A PAMPA É UM SUBSTANTIVO FEMININO, PORQUE ELA É FEMININA SENDO A TERRA, A MÃE, A MULHER, A AMANTE, DE TODOS AQUELES QUE SÃO PRIVILEGIADOS EM TER NELA SUAS ORIGENS, FONTES E RAÍZES.
PAMPA (Grades)
Carrego-te em mim fazendo-te baluarte
nos descaminhos desse andar andejo,
ao reencontro ou, longe, sem deixar-te,
n'alma, pele e coração te sinto e vejo.
Lamento por não mais poder
pela Pampa mãe, mulher, terra, correr
na minha Uruguaiana, do meu carinho,
menos pela idade que avança acelerada
à morte, ao esquecimento, ao nada,
nem por grades que dividem caminhos
materiais, ilusões travestidas em calma,
muito mais por àquelas feitas de espinhos
cravados em céus que aprisionam almas ...
quarta-feira, 23 de maio de 2018
CONSCIÊNCIA
Sei, não serei reconhecido no que digo
mas meus escritos sobreviverão contigo,
o que tenho dito, bobagens, trivialidade
façam ou não façam sentido, as verdades
do que tem sido, o sim, o não, o omitido,
os meus achados, os meus perdidos, assim
...Enfim, embora morto estarei mais vivo
em ti e na saudade que levarei comigo
restando provado não existir despedida.
E tantas são as vidas passadas, futuras,
que esta, encerrada, nada mais é ou será,
réstia de sol, sal, sombra, eterna jura
do inescrutável reverso das partidas.
E, como em outras agruras, disso brotará
lá adiante (quando, penso só eu estabeleço
proporcional à espera e ao que mereço)
um novo rumo, mel e luz, uma nova vida,
nova cantiga, novo começo, um novo fim
sem mais meus sonhos, outras despedidas
e, de novo, tudo será... Não mais em mim!
segunda-feira, 21 de maio de 2018
DECADÊNCIA
No que seria eu se no tudo dito
comigo convivem verdugo e presa,
o bendito confrontando o maldito,
comum e surpresa no butim, à mesa
incrível e invulgar pressa do acaso.
Enquanto rasga o dia o sutil se espanta
ao roçar no nada de seu próprio ocaso
e, dentro de teus olhos, esbugalhados,
pressente-se o oblíquo dos pecados!
O tudo chora, o tudo canta e encanta,
todos os erros se repetem nas esquinas
escondidas, dentro do tempo passado
nada mais são do que névoas, neblinas
do insuspeitável consciente adulterado.
Por isso carrego fardos do antigo antes
pesando em mim o medo do amargo durante
deste agora, preso em minha desvalia,
vestido de noite sem nunca ter sido dia.
SÚPLICA
Senhor Deus, valei-me
em sonhos, risos, quimeras,
lancei linhas de espera
no turvo rio do momento.
São meus os mananciais
das curvas dos pensamentos
que a cada riso ou lamento
explodem nos vícios meus,
no viço que se perdeu
no chão das iniquidades,
nas perdas e ganhos da idade,
põe de joelhos filhos Teus
que manquitolam agonias
na rudeza do concreto
embriagados de elegias
pela posse do secreto
...E se morro no abstrato
repintando noite em dia
desnudo todo contrato
que me faz ver fantasia,
binário surreal de falácias
que bailam dentro de mim,
tanino extraído das hemácias
do princípio, meio e fim.
E, quando posta, reverto
a ponta da espada no peito,
como causa me converto
em simples e mero efeito...
Rios de amores, ódios, nada,
das entranhas da jornada
e rosa do ventos, um norte,
desagua vida em nossa morte!
DA VIDA
Leve, pelas caronas do ressonar imberbe,
flutuava solto por sobre os problemas
dilemas do esperar que a si não serve
e como proclamava e dizia, breve,
nada era mais importante ou salutar
do que a vida que ao viver convida
ainda que, e sempre tem um ainda,
com nada se conte e nada se espere
além da força do escorregadio dia
que nos espanca com febres e utopias
desses amanhãs que o hoje sugere!
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